ontologia

Mulhall: a natureza da investigação heideggeriana

"[...] philosophy has no authority to judge the validity of specific scientific theories. But any such theory is constructed and tested in ways which presuppose the validity of certain assumptions about the domain under investigation, assumptions that it can consequently neither justify nor undermine, and which therefore require a very different type of examination. The scientist may well be the best exponent of the practices of inductive reasoning as applied to the realm of nature; but if questions are raised about the precise structure of inductive reasoning and its ultimate justification as a mode of discovering truth, then the abilities of the philosopher come into play.
 
This is a familiar view of the role of philosophical enquiry in the Western philosophical tradition, particularly since the time of Descartes — at least if we judge by the importance it has assigned to the twin ontological tasks of specifying the essential differences between the various types of entity that human beings encounter, and the essential preconditions of our capacity to comprehend them. To learn about that tradition is to learn, for example, that Descartes’ view of material objects — as entities whose essence lies in being extended — was contested by Berkeley’s claim that it lies in their being perceived, whereas his view that the essence of the self is grounded in the power of thought was contested by Hume’s claim that its only ground is the bundling together of impressions and ideas. Kant then attempts to unearth that which conditions the possibility of our experiencing ourselves as subjects inhabiting a world of objects. Alternatively, we might study the specific conceptual presuppositions of aesthetic judgements about entities as opposed to scientific hypotheses about them, or interrogate the distinctive presuppositions of the human sciences — the study of social and cultural structures and artefacts, and the guiding assumptions of those who investigate them as historians rather than as literary critics or sociologists.

A ciência - Heidegger

Excelente colocação sobre a profunda distinção do que se denomina "ciência" hoje em dia, daquilo que se poderia conjecturar como "ciência" na antiguidade grega e na Idade Média.
 
"Na atualidade, quando empregamos a palavra “ciência”, esta significa algo tão essencialmente diferente da doutrina e da scientia da Idade Média como da episteme grega. A ciência grega nunca foi exata, porque segundo a sua essência era impossível que ela o fosse e tampouco necessitava sê-lo. Por isso, carece completamente de sentido dizer que a ciência moderna é mais exata que a da Antigüidade. Do mesmo modo, tampouco se pode dizer que a teoria de Galileu sobre a queda livre dos corpos seja verdadeira e que a de Aristóteles, que diz que os corpos leves tendem a elevar-se, seja falsa, porque a concepção grega da essência dos corpos, do lugar, bem como da relação entre ambos, se baseia em uma interpretação diferente do ente e, em conseqüência, determina outro modo distinto de ver e questionar os fenômenos naturais. Ninguém pretenderia afirmar que a literatura de Shakespeare é um progresso com respeito à de Ésquilo, resulta, porém, que ainda é maior a impossibilidade de afirmar que a concepção moderna do ente é mais correta que a grega. Por isso, se quisermos chegar a captar a essência da ciência moderna devemos começar por nos livrarmos do costume de distinguir a ciência moderna face à antiga unicamente por uma questão de grau desde a perspectiva do progresso.

O que é uma coisa? - Heidegger

"Colocamos, neste curso, uma questão de entre as que pertencem ao domínio das questões fundamentais da metafísica. Ela tem o seguinte teor: «Que é uma coisa?». A questão é já antiga. O que nela é sempre novo é o fato de ter de ser continuamente posta. 
 
Poderia iniciar-se, imediatamente, uma vasta discussão acerca desta questão, antes mesmo de ela ter sido, em geral, corretamente colocada. Num certo sentido, isso seria legítimo, porque a filosofia, quando se inicia, encontra-se numa situação desfavorável. O mesmo não acontece com as ciências, pois a estas as representações, opiniões e maneiras de pensar quotidianas atribuem sempre uma entrada e um acesso imediatos. Se o modo habitual de representar for tomado como a única medida de todas as coisas, a filosofia, então, será sempre algo de deslocado. Este deslocamento, que é próprio da atitude pensante, apenas se pode consumar por meio de um afastamento violento. Os cursos científicos pelo contrário, podem começar imediatamente pela exposição do seu objeto. Os níveis assim escolhidos para o questionar não tornarão a ser abandonados, mesmo que as questões se tornem mais complicadas e mais difíceis. 
 
Pelo contrário, a filosofia efetua uma deslocação permanente das posições e dos níveis. Com ela, muitas vezes, não se sabe qual é a parte de cima e a parte de baixo. Mas, para não tornar excessiva esta desorientação inevitável e quase sempre salutar, é necessário um esclarecimento provisório acerca do que vai ser questionado. Por outro lado, este esclarecimento traz consigo o perigo de se falar pormenorizadamente de filosofia sem pensar no seu sentido. Dedicaremos a primeira lição, e apenas ela, ao esclarecimento do nosso projeto.

The Dream of Life - Alan Watts

Belíssima reflexão do filósofo Alan Watts...

"If you awaken from this illusion and you understand that black implies white, self implies other, life implies death; or shall I say death implies life? You can feel yourself – not as a stranger in the world not as something here unprobational not as something that has arrived here by fluke, but you can begin to feel your own existence as absolutely fundamental. I am not trying to sell you on this idea in the sense of converting you to it, I want you to play with it. I want you to think of it’s possibilities, I am not trying to proof it. I am just putting it forward as a possibility of life to think about.

 
So then – let’s suppose that you were able every night to dream any dream you wanted to dream, and that you could for example have the power within one night to dream 75 years of time, or any length of time you wanted to have. And you would naturally as you began on this adventure of dreams, you would fulfil all your wishes. You would have every kind of pleasure during your sleep. And after several nights of 75 years of total pleasure each you would say “Well that was pretty great”. But now let’s have some surprise, let’s have a dream which isn’t under control, where something is gonna happen to me that I don’t know that’s gonna be. And you would dig that and would come out of that and you would say “Wow that was a close shave, wasn’t it?”. Then you would get more and more adventurous and you would make further and further out gambles what you would dream. And finally you would dream where you are now. You would dream the dream of the life that you are actually living today. That would be within the infinite multiplicity of choices you would have. Of playing that you weren’t god, because the whole nature of the godhead according to this idea is to play that he is not. So in this idea then, everybody is fundamentally the ultimate reality, not god in a politicly kingly sense, but god in the sense of being the self, the deep down whatever there is. And you are all that, only you are pretending you are not."