felicidade

Aristóteles - por uma vida boa

The selfish, they're all standing in line.. Faithing and hoping to buy themselves time.. Me, I figure as each breath goes by, I only own my mind [...] I know I was born and I know that I'll die.. The in between is mine, I am mine [...] 

The ocean is full 'cause everyone's crying.. 
The full moon is looking for friends at hightide.. The sorrow grows bigger when the sorrow's denied, I only know my mind, I am mine [...]

 
Eddie Vedder, "I Am Mine"

 

"[...] como ele era quando jovem? Não temos documentos privados desse período, mas sabemos de um belo ensaio, a Exortação à Filosofia, que ele publicou aos seus trinta e poucos anos. Esse ensaio revela uma trama bem diferente no tecido do pensamento de Aristóteles e complementa aquilo que seu testamento nos conta sobre ele.

As boas coisas de que gozamos, Aristóteles diz, como a riqueza e a saúde, não têm nenhum valor se nossa alma não for boa. Da mesma maneira como a alma é superior ao corpo, a parte racional da alma é superior à parte irracional. A melhor coisa que podemos fazer é promover o que há de melhor na melhor parte de nós, que é ser tão racional quanto possível e passar a conhecer as coisas mais importantes. Esse estado de conhecimento é uma virtude em si mesmo e traz consigo suas próprias recompensas, já que nós naturalmente gostamos de compreender as coisas. É natural e certo para nós tornarmo-nos animais racionais e, se não o fizermos, então poderemos ser homens vivos, mas não estaremos vivendo como homens; poderemos ter prazer enquanto vivermos, sem ter prazer em viver. A única maneira de realizarmos nossa natureza humana é realizar nossa natureza divina, e a mente é o elemento divino em nós; em virtude de possuirmos razão, podemos aproximar-nos do feliz estado dos deuses. "O homem destituído de percepção e de mente é reduzido à condição de uma planta; destituído tão-somente de mente é tornado um bruto; destituído de irracionalidade, mas conservando a mente, torna-se como Deus.

Bentham, Mill e o Utilitarismo Clássico

"The doctrine that the basis of morals is utility, or the greatest happiness principle, holds that actions are right in proportion as they tend to promote happiness, wrong in proportion as they tend to produce the reverse of happiness." (John Stuart Mill, Utilitarianism)

 

Embora muito do núcleo conceitual do Utilitarismo remonte a pensadores como Francis Hutcheson (1694–1746), David Hume (1711-1776) entre outros (Cumberland, Shaftesbury, Gay), o filósofo britânico Jeremy Bentham pode ser considerado o fundador da teoria moral conhecida como "Utilitarismo". John Stuart Mill, seu sucessor, foi intesamente influenciado pela Philosophical Radicalism (Jeremy Bentham [1748–1832], John Austin [1790–1859], James Mill [1773–1836]), embora discorde no que concerne a natureza da felicidade e as motivações humanas. Qualquer reflexão sobre "utilitarismo" clássico, requer uma aproximação da noção de "felicidade". Conforme exposto logo no primeiro parágrafo de sua obra Principles of Morals and Legislation, para Bentham: "nature has placed mankind under the governance of two sovereign masters, pain and pleasure", sendo a "felicidade" o simples resultado desta equação. Em seu livro Utilitarianism, John Stuart Mill argumenta que a "felicidade" é a única coisa desejável em si mesma (Capítulo IV, Utilitarianism). O Utilitarismo é considerado uma das mais persuasivas e poderosas aproximações da ética normativa e sua justa apreensão deve partir de seu contexto histórico. Os utilitaristas clássicos (Bentham e Mill) ocupavam-se com a reforma legal e social, sendo o utilitarismo uma "ferramenta" para a transformação de práticas sociais questionáveis, bem como leis corruptas e inúteis.

A felicidade inconcebível de Schopenhauer

Neste trecho da obra "The Emptiness of Existence", o mestre do niilismo, o filósofo Arthur Schopenhauer derrama todo o seu pessimismo ao refletir sobre a ideia de felicidade.

"Num mundo como este, onde nada é estável e nada perdura, mas é arremessado em um incansável turbilhão de mudanças, onde tudo se apressa, voa, e mantém-se em equilíbrio avançando e movendo-se continuamente, como um acrobata em uma corda – em tal mundo, a felicidade é inconcebível. Como poderia haver onde, como Platão diz, tornar-se continuamente e nunca ser é a única forma de existência. Primeiramente, nenhum homem é feliz; luta sua vida toda em busca de uma felicidade imaginária, a qual raramente alcança, e, quando alcança, é apenas para sua desilusão; e, via de regra, no fim, é um náufrago, chegando ao porto com mastros e velas faltando. Então dá no mesmo se foi feliz ou infeliz, pois sua vida nunca foi mais que um presente sempre passageiro, que agora já acabou."