Schopenhauer

O animal não tem consciência da morte - Schopenhauer

"A morte é o verdadeiro gênio inspirador ou o Muságeta da filosofia, razão pela qual Sócrates também a definiu como thanatou memléte (preparação para a morte). De fato, sem a morte, seria até difícil filosofar. Por isso, é perfeitamente legítimo que uma consideração especial sobre a morte seja colocada aqui, no início de nosso último livro, que é o mais sério e importante de todos. O animal vive sem um verdadeiro conhecimento da morte: por isso, o indivíduo animal desfruta diretamente de toda a imortalidade da espécie, na medida em que tem consciência de si mesmo apenas como ser sem fim. No homem, o surgimento da razão trouxe necessariamente consigo a assustadora certeza da morte. No entanto, como na natureza para todo o mal há sempre um remédio ou, pelo menos, um substituto, a mesma reflexão que provocou o conhecimento da morte também nos conduz a formular opiniões metafísicas que nos consolam a respeito, e das quais o animal não necessita nem é capaz de ter.
 
Esse é o objetivo principal a que se orientam todas as religiões e todos os sistemas filosóficos, que em primeiro lugar, constituem, portanto, o antídoto da certeza da morte, produzido pela razão reflexiva a partir de recursos próprios. No entanto, o grau em que alcançam esse objetivo é muito variado, e não há dúvida de que certa religião ou certa filosofia, muito mais do que qualquer outra, tornará o homem apto a encarar a morte com um olhar sereno. Nesse sentido, o bramanismo e o budismo, que ensinam o homem a ver-se como o próprio ser primordial, o Brama, que é essencialmente alheio a todo o nascimento e a todo perecimento, são muito mais eficazes do que aquelas religiões para as quais o homem foi criado a partir do nada e que fazem com que sua existência, recebida de outrem, realmente comece com o nascimento. Por conseguinte, encontramos na Índia uma confiança na morte e um desprezo por ela que são inconcebíveis na Europa. De fato, quanto a essa importante questão, é grave querer impor ao homem e nele inculcar precocemente conceitos fracos e insustentáveis, tornando-o para sempre incapaz de assimilar os conceitos mais corretos e mais sólidos.

A felicidade inconcebível de Schopenhauer

Neste trecho da obra "The Emptiness of Existence", o mestre do niilismo, o filósofo Arthur Schopenhauer derrama todo o seu pessimismo ao refletir sobre a ideia de felicidade.

"Num mundo como este, onde nada é estável e nada perdura, mas é arremessado em um incansável turbilhão de mudanças, onde tudo se apressa, voa, e mantém-se em equilíbrio avançando e movendo-se continuamente, como um acrobata em uma corda – em tal mundo, a felicidade é inconcebível. Como poderia haver onde, como Platão diz, tornar-se continuamente e nunca ser é a única forma de existência. Primeiramente, nenhum homem é feliz; luta sua vida toda em busca de uma felicidade imaginária, a qual raramente alcança, e, quando alcança, é apenas para sua desilusão; e, via de regra, no fim, é um náufrago, chegando ao porto com mastros e velas faltando. Então dá no mesmo se foi feliz ou infeliz, pois sua vida nunca foi mais que um presente sempre passageiro, que agora já acabou."