thauma

Heidegger - thaumazein (espanto)

"[...] os pensadores gregos, Platão e Aristóteles, chamaram a atenção para o fato de que a filosofia e o filosofar fazem parte de uma dimensão do homem, que designamos dis-posição (no sentido de uma tonalidade afetiva que nos harmoniza e nos convoca por um apelo).
 
Platão diz (Teeteto, 155 d): mala gar philosophou touto to pathos, to thaumazein, ou gar alle arkhe philosophias he haute. "É verdadeiramente de um filósofo este pathos — o espanto; pois não há outra origem imperante da filosofia que este."
 
O espanto é, enquanto pathos, a arkhe da filosofia. Devemos compreender, em seu pleno sentido, a palavra grega arkhe. Designa aquilo de onde algo surge. Mas este "de onde" não é deixado para trás no surgir; antes, a arkhe torna-se aquilo que é expresso pelo verbo arkhein, o que impera. O pathos do espanto não está simplesmente no começo da filosofia, como, por exemplo, o lavar das mãos precede a operação do cirurgião. O espanto carrega a filosofia e impera em seu interior.