matemática

Heidegger - o pensamento que calcula, não medita!

"Não nos iludamos. Todos nós, mesmo aqueles que pensam por dever profissional, somos muitas vezes pobres-em-pensamentos; ficamos sem-pensamentos com demasiada facilidade. A ausência-de-pensamentos é um hóspede sinistro que, no mundo atual, entra e sai em toda a parte. Pois, hoje toma-se conhecimento de tudo pelo caminho mais rápido e mais econômico e, no mesmo instante e com a mesma rapidez, tudo se esquece. Do mesmo modo, os atos festivos sucedem-se uns aos outros. As comemorações tornam-se cada vez mais pobres-em-pensamentos. Comemorações e ausência-de-pensamentos andam intimamente associadas.
 
Contudo, mesmo quando estamos sem-pensamentos não renunciamos à nossa capacidade de pensar. Temos até uma necessidade absoluta dela, de um modo especial, sem dúvida, de tal forma que, na ausência-de-pensamentos, deixamos improdutiva a nossa capacidade de pensar. Não obstante, só pode ficar improdutivo aquilo que contém em si um solo (Grund) onde algo possa crescer, como por exemplo um campo agrícola. Uma auto-estrada, na qual nada cresce, nunca se pode transformar num baldio. Do mesmo modo que só podemos ficar surdos pelo facto de ouvirmos e envelhecer pelo facto de termos sido jovens, só podemos tornarmo-nos pobres-em-pensamentos ou mesmo sem-pensa-mentos em virtude de o homem possuir, no fundo (Grund) da sua essência, a capacidade de pensar, «o espírito e a razão», e em virtude de estar destinado a pensar. Só podemos perder ou, melhor, deixar de ter aquilo que, consciente ou inconscientemente, possuímos.

O que são as lágrimas - Heidegger

"We will now try to move somewhat closer to the phenomenon of the body. In doing so, we are not speaking of a solution to the problem of the body. Much has already been gained merely by starting to see this problem. Once again we refer to the text by Professor Hegglin. Among other things, it notes: "Sadness cannot be measured, but the tears formed by sadness due to psychosomatic relations can be investigated quantitatively in various directions." Yet you can never actually measure tears. If you try to measure them, you measure a fluid and its drops at the most, but not tears. Tears can only be seen directly. Where do tears belong? Are they something somatic or psychical? They are neither the one, nor the other. Take another phenomenon: Someone blushes with shame and embarrassment. Can the blushing be measured? Blushing with shame cannot be measured. Only the redness can be measured, for instance, by measuring the circulation of blood. Then is blushing something somatic or something psychical? It is neither one nor the other. Phenomenologically speaking, we can easily distinguish between a face blushing with shame and, for instance, a face flushed with fever or as a result of going inside of a warm hut after a cold mountain night outside. All three kinds of blushing appear on the face, but they are very different from each other and are immediately distinguished in our everyday being-with and being-for each other. We can "see" from the respective situations whether someone is embarrassed, for instance, or flushed for some other reason. Take the phenomenon of pain and sadness. For instance, bodily pain and grief for the death of a relative both involve "pain." What about these "pains'? Are they both somatic or are they both psychical? Or is only one of them somatic and the other psychical, or is it neither one nor the other?