médico

A crise da medicina - Peter Sloterdijk

Accustom yourself to believe that death is nothing to us, for good and evil imply awareness, and death is the privation of all awareness; therefore a right understanding that death is nothing to us makes the mortality of life enjoyable, not by adding to life an unlimited time, but by taking away the yearning after immortality. For life has no terror; for those who thoroughly apprehend that there are no terrors for them in ceasing to live. Foolish, therefore, is the person who says that he fears death, not because it will pain when it comes, but because it pains in the prospect. Whatever causes no annoyance when it is present, causes only a groundless pain in the expectation. Death, therefore, the most awful of evils, is nothing to us, seeing that, when we are, death is not come, and, when death is come, we are not.
 
Epicurus, "Letter to Menoeceus" 
 
 
"Em cada civilização, há grupos de pessoas que por conta de suas tarefas profissionais são levados a desenvolver diferentes realismos em contato com corpos moribundos ou mortos: o soldado, o carrasco, o sacerdote. Mas é na profissão médica que se constroi o realismo mais aprofundado da morte. — Esta consciência da morte tem um conhecimento técnico mais íntimo que toda outra da fragilidade do corpo, e dá luz ao movimento, orientado para a morte, de nosso organismo — seja ele chamado saúde, doença ou envelhecimento. Só o açougueiro possui, do aspecto material de nossa morte, um saber comparável, igualmente ancorado em rotinas pelo ofício. O materialismo medical chega até a intimidar o materialismo filosófico. Por esta razão, o cadáver seria o professor propriamente qualificado de um materialismo integral. [...]