método científico

Como senhores e possuidores da Natureza - Descartes

"Jamais dei muita atenção às coisas que provinham de meu espírito, e, à medida que não colhi outros frutos do método que emprego, exceto que fiquei satisfeito em relação a algumas dificuldades que dizem respeito às ciências especulativas, ou então que tentei pautar meus hábitos pelas razões que ele me ensinava, não me considerei obrigado a nada escrever acerca dele. Pois, no que se refere aos hábitos, cada qual segue de tal maneira sua própria opinião que se poderia encontrar tantos reformadores quantas são as cabeças, se fosse permitido a outros, além dos que Deus estabeleceu como soberanos dos povos, ou então aos que concedeu suficiente graça e diligência para serem profetas, tentar mudá-los em algo; e, apesar de que minhas especulações me agradassem muito, pensei que os outros também tinham as suas que lhes agradariam talvez mais. Porém, apenas adquiri algumas noções gerais concernentes a física, e, começando a comprová-las em várias dificuldades particulares, percebi até onde podiam conduzir e quanto diferem dos princípios que haviam sido utilizados até o presente, considerei que não podia mantê-las escondidas sem transgredir a lei que nos obriga a procurar, no que depende de nós, o bem geral de todos os homens. 

Saber científico e método - Mário Ferreira dos Santos

"Distinguimos nos artigos anteriores o saber vulgar do saber científico. O homem moderno, quando culto, entremeia, no entanto, em seus conhecimentos vulgares, muito do conhecimento científico; assim também o homem vulgar, mas em escala menor. Esta a razão por que uma distinção nítida é impossível. Estudamos a formação do saber teórico, em "Filosofia e Cosmovisão", e a do saber científico como estágio posterior. O saber científico leva à formação da ciência como conjunto de conhecimento certos e prováveis, que são fundados metodicamente e dispostos sistematicamente, segundo os respectivos objectos. Embora esse enunciado não seja uma definição, pois poderia confundir-se com o sentido da filosofia, poderíamos acrescentar que, na ciência, o saber se prende à experiência e ao experimentável, sem nunca transcendê-lo, enquanto, na filosofia, se dá essa transcendência.
 
Falamos em conhecimentos prováveis, pois todos sabemos que a ciência se funda em hipóteses e trabalha com probabilidades, sobretudo quando emprega o método inductivo que encerra muito de probabilidade, embora num grau elevado. A ciência se afasta do dogmatismo, pois o verdadeiro cientista oferece suas conclusões, e espera que seus pares as examinem e analisem. A ciência trabalha com o geral, não há ciência do singular. Entre as formas do saber científico, podemos salientar o saber matemático, que trabalha com os objectos matemáticos, objectos ideais, de que já tratamos. A lógica também tem um objecto ideal. Todas as outras ciências que têm objectos reais, temporais, são chamadas de ciências naturais (a física, a química, a biologia, etc).