Mário Ferreira dos Santos

Saber científico e método - Mário Ferreira dos Santos

"Distinguimos nos artigos anteriores o saber vulgar do saber científico. O homem moderno, quando culto, entremeia, no entanto, em seus conhecimentos vulgares, muito do conhecimento científico; assim também o homem vulgar, mas em escala menor. Esta a razão por que uma distinção nítida é impossível. Estudamos a formação do saber teórico, em "Filosofia e Cosmovisão", e a do saber científico como estágio posterior. O saber científico leva à formação da ciência como conjunto de conhecimento certos e prováveis, que são fundados metodicamente e dispostos sistematicamente, segundo os respectivos objectos. Embora esse enunciado não seja uma definição, pois poderia confundir-se com o sentido da filosofia, poderíamos acrescentar que, na ciência, o saber se prende à experiência e ao experimentável, sem nunca transcendê-lo, enquanto, na filosofia, se dá essa transcendência.
 
Falamos em conhecimentos prováveis, pois todos sabemos que a ciência se funda em hipóteses e trabalha com probabilidades, sobretudo quando emprega o método inductivo que encerra muito de probabilidade, embora num grau elevado. A ciência se afasta do dogmatismo, pois o verdadeiro cientista oferece suas conclusões, e espera que seus pares as examinem e analisem. A ciência trabalha com o geral, não há ciência do singular. Entre as formas do saber científico, podemos salientar o saber matemático, que trabalha com os objectos matemáticos, objectos ideais, de que já tratamos. A lógica também tem um objecto ideal. Todas as outras ciências que têm objectos reais, temporais, são chamadas de ciências naturais (a física, a química, a biologia, etc).