História da Filosofia

Sobre a história da Filosofia - Leonel Franca

"A história da filosofia é a exposição crítica metódica dos principais sistemas e das mais importantes escolas. Seguir o pensamento humano nas diferentes fases de seu desenvolvimento através das idades, inventariar os esforços e as tentativas feitas nas diversas épocas pelas mais poderosas inteligências para dar uma solução racional e científica às mais altas questões acerca de Deus, do homem e do universo, tal é o seu objeto. Como a história de tôdas as ciências, também a da filosofia deve ser crítica e metódica. [...] Sem crítica, a história pensamento não passaria de um repositório morto de idéias, de um estudo sem vida, estéril e até prejudicial.

Ante o desfilar vertiginoso de tantas opiniões contraditórias, inteligências novas ou pouco afeitas à reflexão poderiam levianamente inclinar-se a um ecletismo fácil ou deixar-se entrar dos esmorecimentos do ceticismo. Incumbe, por isso, ao historiador o dever de julgar os sistemas, joeirando-lhes o verdadeiro do falso, o certo do duvidoso, o inconcusso do controvertível, e assinando a cada filósofo a sua contribuição para o progresso ou atraso do saber. Assim se procede na história de todas as ciências. Assim se deverá proceder também na história da filosofia.

Mas com que critério se hão de apreciar as doutrinas filosóficas? Certamente, não com os preconceitos de sistema. O kantismo e o positivismo, o materialismo e o panteísmo ou outro qualquer sistema preconcebido não podem servir de craveira, por onde há de aferir o progresso do pensamento. Julgar assim fôra expor-se a falsear a história e a desnaturar os fatos. O critério único que em semelhantes apreciações deve servir de norma ao historiador é o critério da evidência, é a conformidade das doutrinas com os primeiros princípios da razão. Julgada aos reflexos desta luz, a verdade ressairá sempre mais brilhante e o êrro, cedo ou tarde, se manifestará no absurdo de suas contradições.