boa vontade

Kant e a boa vontade

"Sou por gosto um investigador. Sinto sede de conhecimento e a ávida inquietação de progredir, tanto quanto a satisfação que dá qualquer auisição. Houve um tempo em que acreditava que só isso poderia fazer a honra da humanidade, e desprezava a a plebe que tudo ignora. Este privilégio ilusório desvaneceu-se, aprendo a honrar os homens e considerar-me-ia mais inútil que o comum dos trabalhadores se não estivesse convencido de que a especulação a que me dedico pode conferir a tudo o resto um valor: fazer realçar os direitos da humanidade."
 
Imannuel Kant, "Observations sur le beau et le sublime"
 
 
A missão da filosofia de Kant vai constituir em dar plena terminação ao movimento iniciado pela atitude idealista. Segundo Manuel Garcia Morente (Fudamentos de Filosofia), era preciso que o processo iniciado por Descartes chegasse a seu término e conclusão, ou seja, um pensador capaz de arrematar as possibilidades contidas na atitude idealista. Mas em que consiste este idealismo? A concepção que assinala ao "espírito" (ideias) uma posição dominante no conjunto do ser. De forma muito reduzida e beirando uma deformação de seu sentido, seria a concepção de que existe uma parte de mim que pensa, ou seja, um "pedaço" do homem capaz de deliberar, escolher, autonomamente, dentre as possibilidades que o mundo oferece. Assim, pois, Kant seria o fim (não fosse a retomada sartriniana) de um período que se inicia com Platão (psikhé e sôma). No campo da moral, o problema básico de Kant foi descobrir o significado do que é justo e injusto, do bem e do mal. Para Frost, ao atacar o problema, acatou, como fundamental, o princípio de Rousseau, de que a única coisa absolutamente boa, no mundo, é a vontade humana governada pelo respeito para com as leis morais ou a consciência de dever e, neste sentido, Kant chegou a afirmar que Rousseau era o "Newton do mundo moral". Neste trecho retirado do livro "A Filosofia Explica as Grandes Questões da Humanidade", o Prof. Clóvis de Barros Filho explica, com enorme clareza, a ruptura do pensamento kantiano com a tradição grega. A dignidade moral, para Kant, é uma questão de "trabalho", de esforço, onde qualquer homem é capaz de "escapar" do programa da Natureza (physis!?), libertando-se da lógica das tendências naturais. Nascem aqui os direitos da humanidade.
 
"A reflexão sobre a liberdade está no coração do pensamento moral de Kant, cujas contribuições no campo da filosofia são destaque também quando se trata de abordar as condições do conhecimento e os limites da razão. Seus textos são herméticos. Mas não podemos nos acovardar. Tentaremos identificar o que o autor queria dizer de mais fundamental. O que ele destacaria se quisesse facilitar a compreensão do leitor. E, se possível, você poderá abrir a primeira página do texto intitulado Fundamentação da metafísica dos costumes. O que dissermos até aqui facilitará o acesso à informação. Kant não espera muito para dar o tom. Apresenta-se como herdeiro da antropologia de Rousseau. E em ruptura com o pensamento grego. Porque o que pode ser bom, virtuoso e digno não são os talentos naturais.