objetividade

O que são as lágrimas - Heidegger

"We will now try to move somewhat closer to the phenomenon of the body. In doing so, we are not speaking of a solution to the problem of the body. Much has already been gained merely by starting to see this problem. Once again we refer to the text by Professor Hegglin. Among other things, it notes: "Sadness cannot be measured, but the tears formed by sadness due to psychosomatic relations can be investigated quantitatively in various directions." Yet you can never actually measure tears. If you try to measure them, you measure a fluid and its drops at the most, but not tears. Tears can only be seen directly. Where do tears belong? Are they something somatic or psychical? They are neither the one, nor the other. Take another phenomenon: Someone blushes with shame and embarrassment. Can the blushing be measured? Blushing with shame cannot be measured. Only the redness can be measured, for instance, by measuring the circulation of blood. Then is blushing something somatic or something psychical? It is neither one nor the other. Phenomenologically speaking, we can easily distinguish between a face blushing with shame and, for instance, a face flushed with fever or as a result of going inside of a warm hut after a cold mountain night outside. All three kinds of blushing appear on the face, but they are very different from each other and are immediately distinguished in our everyday being-with and being-for each other. We can "see" from the respective situations whether someone is embarrassed, for instance, or flushed for some other reason. Take the phenomenon of pain and sadness. For instance, bodily pain and grief for the death of a relative both involve "pain." What about these "pains'? Are they both somatic or are they both psychical? Or is only one of them somatic and the other psychical, or is it neither one nor the other? 

O conhecimento científico como redução - Ladrière

"A experiência científica repousa numa tomada de partido em favor da abstração e, se recorre à percepção, é apenas depois de tê-la de algum modo encerrado nos estreitos limites que lhe são impostos justamente por seu modo de representação. A questão será preparar o momento propriamente perceptivo, de tal sorte que um ato de atenção simples poderá, em princípio, decidir sobre o que, em última análise, convém atribuir ao real. O que se atinge em tais atos de constatação eletiva é apenas uma região extremamente estreita de realidade e qualidades previamente isoladas, que só vêm receber seu sentido dos dispositivos através dos quais a realidade é interrogada e não, da virtude mesma da percepção e dessa espécie de exuberância com a qual, na abertura que promove, o mundo se revela na densidade mesma de sua substância. No fundo o que se pede à experiência é um veredicto puramente local, uma resposta em termos de "sim" ou de "não" a uma questão estreitamente circunscrita e, não, uma verdadeira contribuição substancial. Não se trata de deixar o real se manifestar tal qual é, de deixar as qualidades sensíveis irradiarem com toda a força de seu brilho, mas pelo contrário, trata-se de esquecer a coloração do universo, seu brilho e sua profusão, para, doravante, fazer dele apenas um farol longínquo que, de tempos em tempos, emite breves sinais luminosos, que deverão ser compreendidos como confirmações ou como refutações, a partir da sábia interpretação que deles se fizer. Mas, depois de ter reduzido o mundo a esse sinal intermitente, local e lacônico, depois de ter colocado entre parênteses as significações vividas e relegado ao esquecimento o movimento da manifestação, é necessário refazer uma imagem plausível, dar ao mundo uma figura, reunir os signos dispersos, restaurar a continuidade, tanto na ordem espácio-temporal quanto na ordem das qualidades."

(Jean Ladrière, "Filosofia e Práxis Científica")