existência

Somos e conhecemos que somos - S. Agostinho

"Somos e conhecemos que somos e amamos este ser e conhecer. Mas nestas três coisas que eu disse nenhuma falsidade semelhante à verdade nos perturba. Pois não as tocamos com nenhum sentido corporal, como aqueles que estão fora, e assim as sentimos vendo suas cores, ouvindo seus sons, cheirando seus odores, provando seus sabores, tocando o duro ou o brando; e manejamos também no pensamento imagens desses objetos sensíveis, muito semelhantes a eles, porém não corpóreas, temo-las na memória e excitam-nos o desejo deles; em lugar disso, é certíssimo para mim, sem nenhuma imaginação enganosa de ilusões ou fantasmagorias, que sou e conheço e amo isto. Não há que temer nestas verdades os argumentos dos acadêmicos, que dizem: E se te enganas? Pois se me engano, sou. Pois aquele que não existe, na verdade, nem enganar-se pode; e por isto existo se me engano. E visto que existo se me engano, como posso enganar-me acerca de que existo, quando é certo que existo se me engano? E, portanto, como eu, o enganado, existiria, embora me enganasse, sem dúvida não me engano ao conhecer que existo."

(S. Agostinho, "A Cidade de Deus")