Hitler

Eutanásia: emergindo da sombra de Hitler

Peter Singer
 
Texto retirado do site "Crítica". Tradução de Álvaro Nunes e Joana Valente (pequenos ajustes foram realizados por mim...)
 
Durante cinquenta anos, Adolfo Hitler lançou uma longa e escura sombra sobre as discussões acerca da eutanásia. A sua sombra ainda persiste, na medida em que sempre que se debate a eutanásia, o declive ardiloso aparece debaixo dos nossos pés, fazendo-nos cair no Holocausto.
 
A passagem mais frequentemente citada acerca do nazismo e da eutanásia é a do psiquiatra americano, Major Leo Alexander, que foi encarreguado de fazer um relatório sobre a esterilização compulsória nazi e o assim chamado "programa de eutanásia".
 
Segundo Alexander:
 
"Quaisquer que tenham sido as proporções finalmente assumidas pelos crimes [nazis], para todos aqueles que os investigaram tornou-se vidente que, na origem, esses crimes tiveram começos modestos. Inicialmente, estes princípios consistiram apenas numa sutil mudança de ênfase na atitude básica dos médicos. Começou com a aceitação da atitude, básica no movimento a favor da eutanásia, de que há algo como uma vida que não merece ser vivida. Nos seus primeiros estágios, esta atitude respeitava apenas aos que estavam crônica e severamente doentes. Gradualmente, a esfera daqueles a serem incluídos na categoria foi alargada para englobar os socialmente improdutivos, os ideologicamente indesejados, os racialmente indesejados e finalmente todos os não-germânicos. Mas é importante perceber que a infinitamente pequena alavanca a partir da qual toda esta propensão mental recebeu o seu ímpeto foi a atitude para com os doentes não reabilitáveis." [1]