dogma da predestinação

Max Weber e o "triunfo" do capitalismo

"The development of the concept of the calling quickly gave to the modern entrepreneur a fabulously clear conscience – and also industrious workers; he gave to his employees as the wages of their ascetic devotion to the calling and of co-operation in his ruthless exploitation of them through capitalism the prospect of eternal salvation."
 
(Max Weber, General Economic History)
 
No discurso moral contemporâneo a felicidade será tanto maior quanto mais frequentemente você sentir prazer ao longo da existência. A palavra-chave aí seria: desejo. Quanto mais desejo, mais satisfação, quanto mais satisfação, mais felicidade. Vivemos uma sociedade liberal que é capaz de fazer "brotar" estes desejos (de forma quase nuclear, creio eu!) e oferecê-los em forma de bens e serviços. É preciso ter em conta, no entanto, que existe a possibilidade do desejo não se converter em satisfação, destarte, a sociedade deve ser capaz de estimular o desejo e dar meios para que estes desejos se convertam em satisfação e, portanto, felicidade. Neste sentido, para que possamos ser felizes é preciso que tenhamos desejos e, por conseguinte, meios para saciá-los. Mas porque o desejo é necessário? Porque a felicidade depende da satisfação e a satisfação, por sua vez, depende do desejo. Neste sentido, é possível compreender o homem, e até mesmo definí-lo, como uma "máquina desejante" (Deleuze). Não seria exagero dizer que desenvolve-se uma concepção de homem (homem desejante) que fundamenta a orientação econômica de nossa sociedade, mas este discurso é recente. Há algum tempo atrás o paradigma era outro: portar-se bem como condição de uma salvação transcendente. A moral cristã e, consequentemente, a busca da salvação, preconizam uma "troca" e respeitar o Rei (braço armado de Deus), por exemplo, era necessário. No entanto, entre esta formulação e a busca desenfreada pela satisfação daquilo que desejamos, tão evidente no discurso contemporâneo, houve uma configuração intermediária, herdeira da legitimação divina do dever: a legitimação capitalista do dever, sobretudo quando a "nobreza" do labor e o respeito com o patrão ganham espaço nas sociedades capitalistas.