As teorias morais como sátiras - Espinosa

"Os filósofos concebem as emoções que se combatem entre si, em nós, como vícios em que os homens caem por erro próprio; é por isso que se habituaram a ridicularizá-los, deplorá-los, reprová-los ou, quando querem parecer mais morais, detestá-los. Julgam assim agir divinamente e elevar-se ao pedestal da sabedoria, prodigalizando toda espécie de louvores a uma natureza humana que em parte alguma existe, e atacando através dos seus discursos a que realmente existe. Concebem os homens, efetivamente, não tais como são, mas como eles próprios gostaria que fossem. Daí, por conseqüência, que quase todos, em vez de uma ética, hajam escrito uma sátira..."
 
(Espinosa, "Tratado Político")
 

Trad. em Inglês:

 

"PHILOSOPHERS conceive of the passions which harass us as vices into which men fall by their own fault, and, therefore, generally deride, bewail, or blame them, or execrate them, if they wish to seem unusually pious. And so they think they are doing something wonderful, and reaching the pinnacle of learning, when they are clever enough to bestow manifold praise on such human nature, as is nowhere to be found, and to make verbal attacks on that which, in fact, exists. For they conceive of men, not as they are, but as they themselves would like them to be. Whence it has come to pass that, instead of ethics, they have generally written satire..."

(Spinoza, "A Political Treatise")