O desejo de uma só moral: por que e pra quem? - Nietzsche

"Considerando que as paixões e os instintos fundamentais exprimem, em toda raça e em toda classe, algo das condições de existência destas (— ao menos das condições em que vivem há longo tempo), exigir que sejam “virtuosas” seria pedir: que transformassem seu caráter, que mudassem de pêlo e desfizessem seu passado; que cessassem de se diferenciarem; que se aproximassem pela semelhança de suas necessidades e de suas aspirações, — mais exatamente: que perecessem... 
 
A vontade de uma só moral consiste, portanto, em ser a tirania de uma espécie, a qual serviu de medida para a moral única, em detrimento das outras espécies: é a destruição ou a uniformização em favor da moral reinante (ou para não mais lhe ser perigosa, ou para ser explorada por ela). “Supressão da escravidão” — na aparência um tributo trazido à “dignidade humana”, na realidade a destruição de uma espécie fundamentalmente diferente."
 
Nietzsche, "Vontade de Potência / Parte II"